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Universo Ficcional Taikodom
autor: mauro
Está chegando aos cinemas o filme Exterminador do Futuro: A Salvação, mostrando pela primeira vez ao público o que acontece de fato durante a tal “rebelião das máquinas”, tão falada durante os três primeiros filmes da série. Mas o que Exterminador do Futuro tem a ver com Taikodom? – você me pergunta. E a resposta é simples: “Terminator” é só um dos muitos exemplos de universos ficcionais que deram certo lá fora. Abraçando mídias diversas incluindo o cinema, quadrinhos e videogames, a história dos andróides contra os humanos abrange pelo menos três décadas em sua linha do tempo ficcional, permitindo que diferentes personagens possam contar diferentes histórias em épocas diferentes, porém interligadas.
É essa proposta que a Hoplon tenta trazer ao Brasil com seu Universo Taikodom. Pela primeira vez em nosso país, surge um projeto do ramo do entretenimento que abraça diferentes mídias desta forma. Através de livros, graphic novels e do próprio game, cada produto lançado com a marca Taikodom conta uma história protagonizada por um personagem diferente, em diferentes momentos de uma linha do tempo que abrange mais de 250 anos.
Tarqüínio Teles, CEO da Hoplon, comenta sobre a idéia por trás da elaboração do Universo Taikodom: “Em vez de criarmos o típico universo de ficção científica ocidental – de certa forma maniqueísta, com a luta da luz contra as trevas, no estilo Star Wars – optamos por um universo onde as pessoas agem de forma mais hedonista, de um jeito bem brasileiro. Também não há exatamente heróis e vilões, podemos dizer que é um universo em tons de cinza, onde cada um age de acordo com seus interesses pessoais em busca de sobrevivência. Buscamos criar uma ficção bastante humana”.
Com essa proposta, a Hoplon vem a longo dos últimos anos trabalhando com profissionais brasileiros de literatura e arte gráfica na elaboração das obras que contam a história deste universo. Já foram lançados dois livros e duas graphic novels, mas a empresa tem planos para mais lançamentos. Nas entrevistas que você lê a seguir, conversamos com Roctavio de Castro, roteirista das HQs, e com J.M. Beraldo e Gerson Lodi-Ribeiro, escritores responsáveis pelo romance Despertar e pela coletânea Crônicas, respectivamente.
- Poderiam apresentar resumos de suas carreiras na área?
Sou formado como jornalista, mas sempre me interessei por roteiros audiovisuais. Trabalhei com internet e artes gráficas durante cinco anos, época em que coordenei, fui redator, webdesigner e editor de diversos projetos web. No final deste período como freelancer e empresário, fui contratado para desenvolver o conteúdo do site Taikodom. Já são cinco anos de trabalho para a Hoplon. Desde o inicio, me envolvi diretamente no universo ficcional, compilando tudo o que era criado pelo Gerson, Cristóvão e Tarqüínio, tanto para fins de documentação quanto para consultoria aos diversos departamentos da Hoplon. Quando surgiu a idéia de publicar quadrinhos como mais um produto Taikodom, um produto de rápida absorção pela audiência do Game e também para o público leitor das obras literárias em si, a empresa achou melhor investir num roteirista interno do que contratar um roteirista profissional de quadrinhos com mais experiência, mas que tivesse também que conhecer os meandros do Universo Taikodom a partir do zero. Há mais ou menos um ano respondo oficialmente como editor do Universo Ficcional.
- Quais as principais diferenças entre o que é apresentado nas HQs e nos livros de Taikodom?
Cada obra baseada no Universo Taikodom busca abordar e preencher um período específico dos mais de 250 anos já criados. As histórias complementam umas às outras e compartilham personagens, que são escalados para "atuar" de acordo com as necessidades de enredo, qualidades e limitações de cada formato, atualmente quadrinhos, game e obras literárias. Em relação ao formato específico das HQs, a combinação de imagens e texto, do mostrar e seu impacto visual, do dizer que provoca uma resposta emocional, além das transições entre cada quadro que são preenchidas pela mente do leitor, possibilitam apresentar nossos cenários, personagens e tramas de maneira ilustrativa, rápida, mas também aproveitando do momento íntimo e introspectivo que uma obra impressa tem com o espectador, espaço que nem sempre o game atualmente, com toda sua ação em tempo real, pode proporcionar. Os quadrinhos funcionam também como uma espécie transição do texto puro para a imagem "em movimento" para, quem sabe no futuro, servir como base para novas adaptações audiovisuais como TV e filmes, laboratório muito utilizado pela indústria de entretenimento do mundo inteiro.
- Elas estão sendo lançadas desde quando? São vendidas fisicamente ou só para download no site?
O primeiro episódio do Taikodom: Eterno Retorno foi disponibilizado para download em 2006. Em 2007 disponibilizamos o segundo número. No momento estamos concluindo os cinco episódios da série.
- Há um planejamento de número de edições? Qual a previsão?
Por ora, estamos concentrados em viabilizar o lançamento na minissérie de cinco episódios.
- Quais as principais influências dos desenhistas e roteristas?
A maioria das influências em roteiro são os escritores ingleses: Neil Gaiman, Warren Ellis e Grant Morrison. Outras obras que influenciaram especificamente a série Taikodom: Eterno Retorno: Cowboy Bebop e Old Boy.
- O que buscam construir ao elaborar as histórias? O que buscam passar para ao leitor?
A partir da premissa de que o leitor-jogador deve se identificar com o protagonista da nossa história, a série Taikodom: Eterno Retorno apresenta o universo Taikodom de forma didática e progressiva, através dos olhos de Gao Jung. O ponto de partida é o choque do futuro, o impacto que a tecnologia e a sociedade do século XXIII podem causar em quem passou a vida inteira limitado à superfície da Terra e cuja expectativa de vida não era muito diferente daquela que nós próprios gozamos hoje em dia. O tom da série é embalado pela tragédia, mas não qualquer tragédia… Em Eterno Retorno, as catástrofes humanas não despertam piedade ou horror. Toda fatalidade pode ser encarada com um certo espírito cínico e, porque não, cômico. Gao é um eterno desconfiado que, passo a passo, é obrigado a acreditar no mundo absurdo e fascinante que vê a sua frente. Gao custa a acreditar nas coincidências com o passado e, principalmente, demora para aceitar frustrações que sente na própria pele quando encara obstáculos maiores do que estava preparado. “Eu avisei!”, repetem seus companheiros de viagem a cada batida de cabeça na parede. Mas, assim como o leitor-jogador, a satisfação da vitória será proporcional à dificuldade que ela impôs. E a lição mais importante: no Taikodom é muito, muito difícil mesmo prosperar sem interagir com os outros, sejam eles parceiros, adversários ou inimigos de morte. É impossível mudar o mundo sozinho."
- Poderiam fazer um resumo sobre as histórias e personagens que são apresentadas nas HQs?
A história se estende do despertar de Gao, que acontece em meio à onda de pânico causada por supostos atentados terroristas inéditos na sociedade espacial, até uma tragédia de grandes proporcões que modificará as estruturas de poder do Espaço Humano para sempre. Gao acordou no mundo dos spacers. Os pioneiros na colonização espacial já eram o topo da cadeia alimentar contra qual ele lutava nos bons tempos de defensor implacável do patrimônio da Terra. Os spacers também foram, em última instância, os principais culpados pela destruição de tudo o que Gao amava. Agora, os mesmos spacers são responsáveis pelo seu maior pesadelo. Até quando for útil, todas as vezes que morrer, e mais, todas as vezes que tentar se matar, o máximo que perderá são alguns dias e, com eles, o eventual progresso na investigação. Gao está condenado à imortalidade. A única alternativa de fuga é aceitar a missão para qual foi convocado. Mas como tudo sempre pode piorar… Gao, que sempre resolveu seus problemas por trás da carapuça de lobo solitário, tem companhia. Ele ouve vozes. E não é a esquizofrenia diagnosticada inúmeras vezes pelos seus detratores. Gao ouve ordens do seu mais-novo-pior-inimigo, uma inteligência artificial designada para fazê-lo andar na linha. OTTOBA7 é o nome do programa intruso. Ele se parece com um fantasma, mas é bem real e vive dentro do implante enfiado à força na cabeça de seu hospedeiro. Isso tudo é apenas o início da grande dor de cabeça que Gao terá pelos próximos anos… Durante os cinco episódios da minissérie em quadrinhos Taikodom: Eterno Retorno.
- O que acham dessa iniciativa da Hoplon para o ramo de quadrinhos nacional?
Esperamos representar bem a nova leva de obras que estão sendo escritas e publicadas no Brasil que, recentemente, vêm conquistando não só espaço aqui dentro, como concorrendo de igual para igual com autores e obras da indústria internacional.
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