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Netbook e o futuro da computação portátil

autor: subzero

Onde tudo começou
Na verdade, o que hoje conhecemos como netbook trata-se de um processo contínuo de aperfeiçoamento, esforços e vislumbre de algumas empresas e pessoas, iniciado desde o surgimento do primeiro computador. A cada nova geração, com o advento de novas tecnologias e descobertas, as máquinas iam naturalmente ficando mais poderosas e menores, até se chegar aos primeiros notebooks.

Em meados da década de 90, o segmento dos portáteis passou por uma verdadeira revolução tanto conceitual quanto estrutural. De um lado, a então desconhecida PALM, havia revelado ao mundo um estranho dispositivo pequeno, leve, sem teclado e com tela sensível ao toque, que iria revolucionar a definição de portabilidade: o palm pilot. Na verdade, o aparelho ficou tão famoso em alguns segmentos que o produto passou a ser confundido com a própria categoria – palmtop (a exemplo com a gilete, marca que é mundialmente sinônimo para lâmina de barbear). Anos mais tarde, gigantes como HP, Compaq e Dell entraram no “jogo”.



De outro lado, HP e PSION inovaram o mercado ao lançar os chamados handhelds (espécies de mini-notebook), que tinham um conceito semelhante ao PALM, trazendo, contudo, um grande trunfo para os usuários mais tradicionais: a adição do teclado. Outro trunfo dos hendhelds (como o jornada da HP) perante aos palmtops das primeiras gerações era o uso do sistema operacional Windows CE, próprio para a categoria.



Infelizmente, nos últimos anos, houve uma queda perceptível nesses dois setores, parte explicada pelo advento dos celulares tudo-em-um (smartphones), quanto pela redução no preço dos laptops.


Os netbooks da era moderna
O atual badalado segmento dos netbooks teve, na verdade, sua semente plantada há exatos 4 anos, com o projeto XO (The Children's Machine), também conhecido por Laptop de 100 dólares, encabeçado por Nicholas Negroponte, presidente da Fundação OLPC (One Laptop Per Child – Um Laptop Para cada Criança) e co-fundador do laboratório multimídia do famoso Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

O projeto era bastante simples, mas ao mesmo tempo audacioso: prover um notebook barato, de dimensões reduzidas e especificações básicas de uso trivial para estudantes de países pobres. Infelizmente, com todos os esforços de seu criador, o projeto, na prática,
 não chegou a decolar.



A Intel, gigante do setor de silício, também teve um vislumbre semelhante, chegando a anunciar o ClassMate PC (previamente conhecido como Eduwise), um laptop com a mesma idéia do XO.

Mas coube a Asustek, gigante asiática do setor de informática, perceber o filão de mercado do projeto proposto por Negroponte, tornando-se a primeira empresa a lançar uma versão comercial de um notebook com dimensões bem reduzidas a um preço bem abaixo do que existia no mercado: o Asus Eee PC.

Os primeiros “pequenos notáveis” vinham com uma diminuta tela de 7 polegadas. Após o grande sucesso obtido, outras empresas decidiram aderir ao segmento, como foi o caso de MSI, Acer, Dell, HP, Samsung, LG, dentre outras.



A propósito: a sigla Eee significa “Easy to Learn, Easy to Work, Easy to Play” (Fácil de Aprender, Fácil de Trabalhar e Fácil de Usar), essencialmente, os mesmos princípios criados pela Fundação OLPC.

MSI e Acer foram uma das primeiras a disponibilizar produtos com telas maiores, de 8,9 polegadas. Atualmente, há uma grande variedade de opções e modelos, mas ao que parece, o “padrão” adotado pelas empresas, são equipamentos com telas de 10 polegadas, muito embora haja versões com até 12 polegadas, desfocando um pouco do conceito inicial dos netbooks e concorrendo de forma direta (em termos de preço) com os laptops.

Mais recentemente, a Sony causou frisson na comunidade ao anunciar o Vaio série P, notebook (embora a fabricante insista em dizer que trata-se de um laptop) com formato que foge dos padrões atuais, mais lembrando o design do antigo HP Jornada.



No Brasil, empresas começam a se movimentar com o intuito de preencher o vácuo existente no mercado. A Positivo, com o Mobo (versão comercial do Classmate PC) e a Encore Brasil, com o Mobilis, possuem soluções com hardware compatível com os concorrentes “gringos”.


Definindo um netbook
Eis uma boa tarefa: definir o que exatamente é um netbook. Embora não haja nenhuma regra ou norma, há um certo senso comum do que venha a ser um subnotebook. Via de regra, o equipamento tem que atender aos seguintes pontos:

- Tamanho da tela: que deve está entre 7 e 10 polegadas (abaixo de 7, normalmente, se caracteriza como um MID, e acima de 10 como um notebook);

- Processador: de baixo consumo de energia, normalmente construído especialmente para tal categoria, como é o caso do Intel Atom ou VIA C7/Nano;

-Preço: acessível, com teto máximo de US$400 (embora muitos tenham ultrapassado, e muito, esse patamar, como é o caso do Sony Vaio série P, que pode ultrapassar a casa dos US$1.000,00!).


Intel Atom dá novo fôlego ao segmento
Até então, os “pequenos notáveis” eram equipados quase que unicamente com o processador Celeron M353 de 900Mhz, mas limitado a 600-650Mhz ou com o C7 da VIA (1 a 1.6Ghz). No caso específico dos XOs, o processador utilizado era o AMD Geode (266Mhz). O “poder de fogo” limitado era uma das maiores críticas feitas aos subnotebooks.

Foi então que a Intel revelou em 15 de outubro de 2007 que estava desenvolvendo uma geração de processador voltado para dispositivos portáteis, codinome Diamondville.

Contudo, apenas em 2008 tal produto chegou de fato ao mercado. Apesar da demora, a Intel praticamente revolucionou o segmento ao introduzir o Atom N270, CPU com clock bem maior que o “bom e velho” Celeron, com 1.6Ghz, trazendo ainda mais recursos, traduzindo, assim, em um maior leque de possibilidades. Apesar de todo o desempenho, o Atom mantém a principal característica para um processador de tal segmento: o baixo consumo de energia.


VIA e AMD correm por fora
Embora com um domínio quase que total do mercado exercido pela a Intel, a VIA não “dormiu no ponto” e atenta aos fatos, lançou mais recentemente o Isaiah, ou Nano, concorrente direto do Atom, com clock em 1.8Ghz e performance ligeiramente superior ao processador da Intel. Mas a Intel não deixou barato e está em vias finais para lançar o Atom N330, que tem como grande destaque o fato de possuir 2 núcleos rodando a 1.6Ghz.

A AMD, por sua vez, está pagando muito caro pelo desprezo no segmento. O antigo CEO da companhia, Hector Ruiz, nunca escondeu de ninguém seu desdém pelos netbooks. Com a saída de Ruiz e chegada de David Orton, a AMD passou a dar mais atenção ao mercado dos ultra-portáteis, oferecendo algumas soluções paliativas (como os Athlons de baixo consumo) até a chegada do Bobcat/Neo.


As novidades que vem por aí...
A VIA já anunciou gratas novidades, como é o caso do Nano 3000, processador dual-core previsto para o segundo semestre de 2009, devendo brigar em pé de igualdade com o Atom N330 da Intel.

A CPU contará com uma arquitetura completamente nova em relação ao modelo single core (que chega já no primeiro semestre), contando com interface VIA V4 BUS de 1333Mhz, instruções de 64 bits com suporte a SSE4, 128KB de cache L1 e 1MB de L2.

Conforme mencionado no tópico anterior, a AMD tenta, literalmente, “tirar o atraso”. A companhia anunciou dias atrás o lançamento do Yukon (single core) e Conesus (dual core), plataformas voltadas para laptops ultra finos e leves, com o intuito de tentar conter, em parte, o avanço voraz dos Atom e Nano em netbooks de 12 polegadas.



Contudo, trata-se de soluções paleativas, uma vez que elas contam com um consumo de energia bem maior que seus rivais, sendo quase que impossíveis de equipar equipamentos com tela menor que 12 polegadas.

Até mesmo a gigante das GPUs, a NVIDIA, rendeu-se aos “pequenos notáveis”, ao lançar mais recentemente o ION, plataforma voltada especialmente para a categoria, prometendo um salto em termos de funcionalidades multimídias. Basicamente, o ION é uma mini placa mãe equipada com vídeo integrado (GeForce 9400M).

Como não poderia deixar de ser, a gigante do silício, a Intel, pretende continuar a sua hegemonia no segmento, com o lançamento continuo de novos produtos, como é o caso da dupla Atom N280 (versão aprimorada do atual N270) e do chipset GN40. Porém, caberá ao Pineview, o intuito de redefinir o segmento dos ultra portáteis. O processador será do tipo System on a Chip (SoC) que, segundo informações (não oficiais) previamente reveladas, integrará no mesmo encapsulamento, funções do northbridge (como a controladora de memória e core gráfico). Desta forma, o design passará de 3-chips (northbridge/CPU/southbridge) para 2-chips (CPU/southbridge).

Além do mais, o chipset será reduzido dos atuais 2174mm² para 773mm², ficando a construção do PCB mais simplificada e barata, uma vez que reduzirá a quantidade de camadas de 6 para 4. Assim, os novos processadores contarão com controladora de memória integrada DDR2 dual-channel, nos mesmos moldes dos futuros Core i5 (Lynnfield).

Como resultado prático, a CPU ultrapassará a barreira dos 1.6Ghz com TDP do sistema como um todo chegando a 7W. Redução de 50% em relação ao atual N270 + 945GSE. As memórias passarão de 533 para 667Mhz, podendo chegar até a 800Mhz. O vídeo onboard será mantido o mesmo GMA950, mas com o clock saindo de 133 para 200Mhz

Com a nova geração, a Intel planeja o lançamento de novos chipsets, como é o caso do Mount Olive (ainda em 2009) e o Packton, em meados do próximo ano, época em que deverá chegar o Medfield, mini CPU já com litografia em 32nm.

Ainda que ultrapasse o conceito padrão dos netbooks, mas como forma de brigar com o Yukon e Conesus da AMD, a Intel lançará, dentro de poucos dias, a nova série de CPUs para laptops finos e leves, chamado CULV, que prometem uma relação poder de processamento / consumo de energia bem interessante para o segmento.

Há ainda empresas menores ávidas pelo segmento, como é o caso da Qualcomm e Freescale. A Qualcomm promete entrar no jogo nos próximos meses com o Snapdragon, chip dual-core de 45nm a 1,5Ghz com suporte a Wi-Fi e Bluetooth, mas que deve ficar restrito ao mundo dos MIDs (dispositivos portáteis de acesso a internet) e smartphones.

Já a Freescale, velha parceira da Motorola, mostrou o processador i.MX (baseado na arquitetura ARM) durante a CES 2009 em janeiro. A empresa alardeou que é, atualmente, a única a possuir um processador dual core voltada para aplicações OpenVG e OpenGL, sendo capaz de processar imagens em 2D e 3D, bem como Flash e SVG.


O futuro pertence ao netbook!?
Um levantamento feito recentemente pela ABI Research revelou que 2009 será o ano da consolidação dos netbooks, que deverão chegar a casa de impressionantes 35 milhões de unidades vendidas.

Não bastasse esse número, a mesma companhia de análises acredita que uma série de fatores tecnológicos e econômico-sociais “conspirarão” a favor da plataforma, devendo chegar a uma explosão de vendas nos próximos anos, culminando em 139 milhõs de unidades comercializadas em 2013.

O sucesso dos netbooks poderá acontecer, em parte, devido ao “fracasso” de outras plataformas, tais como os PDAs/smartphones, UMPCs e MIDs. Pelo menos é o que aponta o relatório da ABI Research.

De fato, com a recente crise econômica se abatendo em todos os países do mundo, é bem provável que a procura por equipamentos mais baratos e acessíveis torne-se cada vez maior, podendo, assim, ajudar na popularização e consolidação dos netbooks.

Outro ponto merecedor de atenção é que, cada vez mais, os consumidores procuram os subnotebooks  como o seu primeiro computador (devido, é claro, ao baixo custo), ou também como seu segundo ou terceiro equipamento (depois de um desktop e/ou laptop), pela sua praticidade no manuseio e transporte (portabilidade).



 

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