
O universo de Pokémon é gigantesco, tanto no número de monstrinhos que já existem quanto nos jogos que trazem eles como protagonistas. Mas não tenho dúvidas que o Pokémon Legends: Arceus é o que passou mais perto de entregar a experiência que eu queria desde os primeiros games, lá nos tempos do Game Boy. Esse título une a experiência de jornada e exploração que Pokémon Red, Blue e Green tentavam trazer (com muitas limitações técnicas), diversas possibilidades de interação com o mundo do game e, especialmente, com os pokémon que o habitam. Vamos passar mais das nossas impressões no restante da análise!
Um mundo amplo (e feiosinho)
Pokémon Legends é facilmente o jogo da franquia dos monstrinhos com a mais satisfatória sensação de exploração. Andar pelo mundo e descobrir novas cidades sempre foi um ponto central da maioria dos games, mas em Legends temos um campo aberto para exploração, com muitos acidentes geográficos e pokémon povoando eles. É bastante empolgante desbloquear uma nova região, pois sempre há novidades no bioma, geografia e criaturas novas para achar.

No entanto, vou ter que me deter um pouco em uma discussão que se tornou um pouco boba, especialmente devido aos ânimos de alguns ao tratar o tópico, e comentar a parte gráfica. Esse tópico acaba ficando acalorado, porque confronta duas visões que não são excludentes. Uma é que o jogo é bem feinho. Outra é que se apegar a isso é coisa de “sommelier de geometria de árvore”. Particularmente, concordo com as duas coisas.
O jogo entrega gráficos bem tristonhos, e nisso já estou levando em consideração o que o Nintendo Switch e suas restrições tem para oferecer. Enquanto os astros do jogo, os Pokémon, estão em excelente forma, com um nível regular de modelagem e boa animação, o mapa do jogo é bem caidinho, com uma vegetação que, às vezes, é engraçada de tão ruim, e até a cidade central do jogo tá meio zoada. Colocando em perspectiva, Monster Hunter Rise atropela Pokémon Legends quando o assunto é gráficos – então sim, o Switch tem muito mais potencial.

Tirando isso do caminho, apesar do impacto inicial que a estética sempre causa, a verdade é que isso não passa nem perto de impedir o game de brilhar. Afinal, o gameplay ficou ótimo, e vamos comentar mais sobre ele!
Caçador de Pokémon
A essência do gameplay é um misto de caçador e colecionador, com o objetivo principal girando em torno da fórmula tradicional de completar o seu álbum de figurinhas, ou melhor, sua Poké-Agenda, onde você irá registrar todos os Pokémon que viu, batalhou ou capturou.

O que mudou em relação a outros títulos é essa maior sensação de “estar” no mundo. Ao andar pelo mapa, os Pokémon podem perceber sua presença e fugir ou, pelo contrário, te atacar. Essa também é a primeira vez que eles realmente vão lhe agredir diretamente, o que inclusive justifica a existência de um botão de esquiva. Caso o jogador sofra muito dano, irá renascer no ponto seguro inicial do mapa.
Pokemón Legends: Arceus é o game que melhor traz a sensação de caçada e captura dos Pokémon
Até nas batalhas há uma nova imersão. Parece bobo, mas ser possível mover seu personagem durante os combates para ver melhor a ação muda a perspectiva. Inclusive, é possível tomar uma pancada se ficar perto demais de um ataque.
O jogo não é exatamente um mundo aberto, mas vários mapas segmentados – mais parecido com um Monster Hunter do que com um Zelda Breath of the Wild. O resultado é bom, já que, apesar de não entregar a continuidade de um mapa amplo e único, cada lugar é bastante grande e dá pra ficar um bom tempo buscando itens, Pokémon ou novas localidades. Pokémon Legends: Arceus também faz um bom trabalho em liberar progressivamente novas criaturas para o jogador alcançar novas áreas, seja se movendo mais rápido, nadando, escalando ou até voando.

Andar pelo mapa buscando novos Pokémon é a parte mais satisfatória do game, com momentos em que eu realmente me aborreci com a história e seus arrastados diálogos interrompendo o que pra mim é realmente a graça do jogo – vamos comentar mais sobre isso adiante. Explorar cada canto do mapa para ver se não tem algum monstrinho que ainda não tinha visto, ou a variação do que aparece pelo mapa quando é dia, tarde, noite ou até quando está chovendo adiciona uma dose de surpresa mesmo nas localidades por onde você já passou.
Explorar o mapa e descobrir onde estão cada Pokémon do jogo é a parte mais satisfatória do game
A dose extra de desafio fica por conta dos Pokémon Alpha, monstrinhos muito maiores e mais poderosos que o normal, que vagam por lugares específicos do mapa. Esses não podem ser capturados apenas com o arremesso da pokébola, então para pegá-los se prepare para as (únicas) batalhas interessantes do game. Não é raro alguns excederem tanto o nível de seus Pokémon que muitos dos ataques são one hit kill, então esses eventos se tornaram os momentos mais difíceis do jogo, que muitas vezes carece desse tipo de situação.
O jogo também traz alguns chefões, os Pokémon “frenéticos”, em combates que fazem o jogador atirar itens que “acalmam” enquanto desvia dos ataques e coloca seu pelotão de monstrinhos para bater no adversário. Esses confrontos são bem OK, e inclusive foram os únicos eventos em que vi algumas oscilações na performance do game.

História meio arrastada
O jogo se passa em um período que antecede Pokémon Diamond e Pearl, e acompanha as aventuras do protagonista que caiu de uma fissura no espaço-tempo e agora está no céu da região de Sinnoh. Muito do roteiro acompanha os desdobramentos das populações locais e seus clãs tentando descobrir o que acontece e como lidar com as consequências desse evento.
Com um enredo que busca atingir todas as idades, obviamente não espere reviravoltas muito chocantes, mas, particularmente, achei bastante monótona a história do game. Em geral, Arceus falha em entregar personagens interessantes e, na maior parte do tempo, senti-me mais aborrecido do que interessado pelos diálogos. A história até fica interessante mais pra frente, mas demora bastante pra engrenar.

Aqui também tem lugar para mais uma camada de aborrecimento, já que o jogo não traz nenhuma localização linguística para o português. É uma pena que mais uma vez nossa região esteja sendo ignorada em um lançamento relevante do Nintendo Switch.
A exploração é ótima, mas as batalhas foram sub-usadas no game, tendo apenas confrontos esporádicos
Algumas mecânicas também ficaram meio perdidas nesse game. Sem a trajetória tradicional do treinador Pokémon, com o foco no treinamento, evolução dos seus Pokémon e líderes de ginásio para serem derrotados, as batalhas são restritas a raros combates, quase sempre desinteressantes. A verdade é que ter capturado alguns Pokémon Alpha simplesmente quebrou esse elemento do jogo e em praticamente todo o tempo as lutas foram bem desbalanceadas por eu ter esses Pokémon fortes demais.
E aproveitando o combo de lamentações, o jogo é bastante amplo no gerenciamento de Pokémon, afinal é um importante mecanismo para evoluir sua Poké-Agenda, mas ficam faltando mecanismos melhores para gerenciar esse monte de monstrinhos. Ao menos um jeito de ordená-los por nível ou tipo, por exemplo, já dava “uma mãozinha”.
Vale a pena?
Pokémon Legends: Arceus entrega uma experiência bem completa, com todas as mecânicas tradicionais da série principal sendo exploradas – em diferentes graus de qualidade. Sem dúvidas, o jogo brilha principalmente no aspecto de exploração dos mapas e na captura dos Pokémon, trazendo a melhor implementação dessa caça aos monstrinhos em um game. É satisfatório explorar os mapas, entender onde estão cada espécie e também encarar a dificuldade que é capturar os monstrinhos Alpha.
Em contrapartida, há algumas questões relevantes. A primeira é que alguns elementos acabaram sendo sub-usados, como as batalhas, comparado com outros games principais da série. Isso não era relevante até o anúncio dessa semana: o Pokémon Scarlet e Violet, que chegam ainda em 2022.

Com outros grandes titulos logo ali no horizonte, e considerando o alto custo de um game no Switch, não sei se faz sentido para quem vai apostar suas fichas (ou melhor, seus dinheiros) em apenas um título escolher o Pokémon Legends: Arceus. O jogo é excelente, mas a Game Freak podia ter dado um pouco mais de espaço para ele antes de lançar um título da série principal. Se você é fã dos monstrinhos e estava querendo enfim a experiência de realmente caçar e capturar os Pokémon, no entanto, essa é a melhor experiência já alcançada até agora.
Muito espaço de exploração
Encontrar e capturar Pokémon é muito divertido
História começa arrastada mas eventualmente engrena
Gráficos meio caidinhos
Sem localização em PT-BR
Outro game da série principal logo ali
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