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The Last of Us Part 1: 5 motivos que fazem um dos piores ports já feitos

The Last of Us Part 1: 5 motivos que fazem um dos piores ports já feitos
Créditos: Entre no nosso canal de Notícias e Análises

Depois de quase 10 anos de espera, enfim os jogadores de PC que não jogaram no Playstation 3, Playstation 4 ou Playstatino 5 ou não viram a série da HBO, agora vão poder vivenciar a aventura de Joe nos pavores da paternidade e outras coisas mais tranquilas como o colapso da sociedade após uma infestação de musgo.

E após testar alguns perfis diferentes de máquinas, na realidade, bem poucos pros padrões do Adrena, podemos concluir que, é… dava pra ter esperado um pouco mais.

The Last of Us Part 1 está sendo bombardeado por análises ruins na Steam, e não é por falta de motivo. Fizemos uma live no dia do lançamento e a galera pode conferir ao vivo os vários problemas que eu vou listar, e que estão assombrando esse lançamento. Ou melhor, esse port para o PC, já que o game já foi lançado faz um tempo para Playstation 5.

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The Last of Us tem 5 motivos para ser um lançamento catastrófico no PC, então vamos a eles:

The Wait of us
The Last of Us entende a importância dos primeiros momentos. Em poucos minutos, o jogo situa o jogador da realidade do protagonista, e constrói ele e o mundo em seu redor. O port do PC parece que esqueceu a importância dos primeiros momentos na experiência dos jogadores.

Se The Last of Us fosse uma pessoa, ele se apresentaria dando primeiro um chá de cadeira de horas em você. O jogo tem a experiência média de uma consulta médica no Brasil, ou de prestação de serviço de telefonia: em algum momento na terça a tarde, entre as 13 e 18 horas, o jogo vai terminar de otimizar os shadders.

Otimizar shadders é importante, e já vimos games como o Callisto Protocol e seu desempenho pífio, cheio de stuttering, ser agravado pela falta de otimização de shadders. Isso também remete a nossa live com o Intel Penitum G de God, o 4560, tentando rodar Warzone sem fazer os shadders. 

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Otimizar os shadders é um processo em que o jogo compila e otimiza processos de acordo com o hardware em uso, já que diferentes microarquiteturas vão ter diferentes capacidades. Até mudanças de software podem requisitar uma nova otimização de shadders para garantir que você está extraindo o máximo de performance disponível com os componentes que você está usando.

Ou seja, deveria ser algo bom, não é? O problema é o tempo. The Last of US no PC leva períodos maiores para compilar os shadders do que baixar o jogo todo. O PC Baratinho, com um Core i3 e uma GeForce GTX 1650, precisou de aproximadamente 2 horas. Sim, estoura o limite de tempo para pedir reembolso da Steam, sem a gente ter sequer começado a jogar o game.

Isso obviamente é inaceitável, e o impressionante é que mesmo em um hardware topo de linha a experiência é ruim! Em um Intel Core i9-12900KS nós levamos mais de 20 minutos. Estamos falando de um processador de 3 mil reais, com 16 núcleos e 24 threads operando em altíssima carga, com a gente literalmente acelerando um pouco mais a bomba do liquid cooling porque ele estava esquentando muito, para rodar o simulador de janela mais pesado do mundo.
Não é possível que isso tenha passado por qualquer controle de qualidade e a pessoa que testou isso achou sensato esse tempo de espera. 

The Etarismo of Us
O segundo problema do game é como ele lida mal com hardwares mais modestos ou um pouco mais antigos. E nem estamos falando de muito mais antigos. Uma GeForce GTX 1660 rodou o game com dificuldades na qualidade intermediária em Full HD. Foi possível apenas rodar na taxa de quadros pouco acima dos 30fps, um resultado bastante baixo para um jogo que, graficamente, nem é tudo isso.

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Um bom paralelo é ver o que Resident Evil 4 entrega com placas mais antigas. Ao invés da placa GeForce 60 de 2019, dá pra jogar em um nível de performance parecido na GeForce a série 60 de 2016, e o resultado gráfico é próximo.

Nossa experiência escalou muito com o teste com a RTX 3060, onde saímos desse Full HD meia boca para um gameplay em qualidade alta com quase 60fps na impressionante resolução de 4K, resultado do uso do DLSS. A galera vem reclamando que o DLSS e o FSR estão deixando de ser um recurso que viabiliza resoluções maiores para uma muleta para fazer os games rodarem, e The Last of Us é uma boa amostra dessa reclamação que vem se repetindo bastante nos últimos lançamentos.

The Last of VRAMs
Mas também tem outro motivo para a galera reclamar da otimização no PC: o uso de RAM e, especialmente de VRAM, chamou a nossa atenção. 

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Mesmo hardwares com 6GB de VRAM, e em configurações intermediárias, o game simplesmente derrete no carregamento de algumas áreas. Enquanto os 4GB tem sido a configuração em que o sinal vermelho está aceso, The Last of Us deixa passando fome placas de 6 e até de 8GB de memória. Má notícia para placas de video parrudas como uma RTX 3080, que podem pagar o pato da economia maior da Nvidia quando o assunto é equipar seus hardwares com memória.

The Loading of Us
Quando você acha que a espera de carregamento de shadders é ruim, a segunda coisa que você vai precisar esperar é o carregamento do game. Em uma era em que nos acostumamos com a velocidade dos armazenamentos rápidos até nos consoles, os 40 segundos que o game levou para carregar em nossa bancada entusiasta é algo ridículo, digno dos tempos de um HD.

Colocando em perspectiva, nossa bancada com o Core i9 usada na live é equipado com um SSD Fury Renegade PCI Express 4.0, capaz de atingir até 7000mb/s de leitura. 

Em um SSD NVMe do PC da Crise, foram sofríveis 3min10seg. O PC Baratinho, com um SSD SATA, foram quase 2min.
Colocando em perspectiva, na época que a gente testou o armazenamento externo no Xbox Series S, o console da Microsoft carregou o game Hellblade em 17 segundos usando um HD externo USB.

The Crash of Us
E por fim, o jogo crasha. De forma simples e singela, várias vezes durante a live ficamos encarando o nosso desktop com a mensagem de erro da Naughty Dog. A GTX 1660 quando bateu os 6GB de VRAM levou minutos para dar pau. E isso que estávamos voltando para o menu principal.

Já uma bancada com o Ryzen 9 7950X com uma Radeon RX 580 nunca abriu o jogo.
Esse lançamento é  impressionante a falta de respeito com os consumidores e até mesmo com a própria franquia The Last of Us, tão cara para a Sony.

O que sobrou de nós
Tem muita coisa aqui que parece ter pulado qualquer controle mínimo de qualidade, e nos leva a pergunta: alguém testou esse troço? Não tem como considerar mais de meia hora de otimização de shadder como algo razoável. Não tem como as próprias pessoas que testaram esse game não se irritarem com esse processo. Ou o mais provável é que esse jogo não foi testado o bastante.

Nós temos um indício forte. Além do adiamento de um mês para o lançamento no PC, temos também a chave de testes. Já geramos – e desculpe aqui a falta de modéstia – excelentes vídeos com lançamentos como Marvel Spiderman, Returnal e God of War, tudo resultado de um bom tempo de testes antes do lançamento para o público. The Last of Us Part 1 foi enviado para testes junto com o lançamento, o que impossibilitou a gente fazer qualquer cobertura mais aprofundada já no lançamento, e por isso ao longo da live nós estávamos descobrindo o estado do jogo junto com vocês.

The Last of Us Part 1 fica como uma mancha no currículo dos games do Playstation portados para PC. 
E pra fechar, vamos comentar um paralelo muito louco nessa história toda. A empresa que fez o port para PC é a Iron Galaxy Studio. Ela tem alguns acertos, como Crash Bandicoot 4, que rodou legal no PC, mas tem esqueletos no armário. O principal deles é Batman: Arkham Knight, um jogo que foi uma verdadeira novela, sendo que a Warner chegou a tirar o jogo da Steam devido ao estado deplorável no PC, e ofereceu reembolso para todo mundo, independente de quantas horas haviam sido jogadas.

Mesmo com críticas mais positivas, se você fitrar as avaliações negativas do port de Uncharted: Coleção Legado dos Ladrões, vai ver que praticamente todas são relacionadas a problemas de otimização. De novo a Iron Galaxy Studio com isso no histórico.

E o que recomendamos neste momento? Sem dúvidas é ficar longe do jogo até ele ser consertado, como foi com o caso do próprio Batman Arkahn Knight, que meses depois voltou a ser vendido na Steam.
Já esperamos uma década para jogar The Last of Us, não vamos prejudicar a experiência só porque não deu para esperar alguns meses a mais. 

E para a Naughty Dog e para a Sony, a minha recomendação é: levem mais a sério o desafio que é portar games pra o PC. Não dá para simplesmente tratar os gamers de PC como um segundo público para farmar dinheiro depois que um título já deu o que tinha para dar nos consoles. É uma plataforma complexa e diversa, e que o controle de qualidade é muito mais desafiante que o do mundo dos consoles. Não pulem essa etapa só pra aproveitar um hype.

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