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Simulação de luz

Qual é a diferença entre Ray Tracing e Path Tracing?

Entenda como o traçado de raios e a simulação de luz separam as tecnologias gráficas nos games. Veja o impacto no desempenho da GPU e a importância da IA.

Qual é a diferença entre Ray Tracing e Path Tracing?
Créditos: Reprodução/DALL-E

A busca pelo fotorrealismo é o grande motor da indústria de jogos eletrônicos nas últimas décadas. Se antes nos contentávamos com polígonos simples e texturas borradas, hoje exigimos reflexos perfeitos e sombras dinâmicas que imitam a vida real.

Assim, novas tecnologias com termos técnicos aparecem e confundem o consumidor, sendo a diferença entre Ray Tracing e Path Tracing uma das dúvidas mais comuns entre entusiastas de PC Games e consoles modernos.

Embora ambas as tecnologias tenham o mesmo objetivo de simular o comportamento da luz, elas operam em níveis de complexidade e fidelidade visual distintos. Entender essa distinção ajuda a ajustar as expectativas sobre o desempenho do seu hardware e a qualidade gráfica que você verá na tela.

O básico: o que veio antes? Entendendo a rasterização

Para compreender a inovação, precisamos olhar para o padrão da indústria: a rasterização. A técnica, usada desde os primórdios dos jogos 3D, projeta objetos tridimensionais em uma tela 2D (seu monitor). A iluminação nada mais é que um truque de mágica.

Desenvolvedores criam mapas de sombras pré-calculados e posicionam luzes artificiais que não interagem fisicamente com o ambiente.

Na rasterização, se uma poça d’água reflete um prédio, é porque o criador do jogo programou aquele reflexo especificamente para aquele ângulo.

Se você mover a câmera e olhar para algo que não está renderizado na tela (fora do campo de visão), o reflexo some ou fica incorreto. É eficiente, rápido, mas limitado.

Ray Tracing: o passo híbrido

A tecnologia de Ray Tracing (Traçado de Raios) chegou para resolver as limitações da rasterização, mas nos jogos atuais, ela geralmente opera de forma híbrida.

Títulos como Control ou Metro Exodus utilizam a rasterização para a maior parte da cena e aplicam o Ray Tracing apenas em elementos específicos, como:

  • Reflexos: superfícies espelhadas ou água.
  • Sombras: contornos mais suaves e realistas.
  • Oclusão de Ambiente: cmo a luz se comporta em cantos e frestas.

Neste modelo, a GPU (placa de vídeo) dispara raios a partir da câmera do jogador. Quando esses raios atingem um objeto, o sistema calcula a cor e a iluminação daquele ponto específico.

É um salto gigantesco em qualidade, mas ainda mantém um pé nas técnicas antigas para poupar desempenho.

Path Tracing: a simulação completa

O Path Tracing, frequentemente chamado pela NVIDIA de “Full Ray Tracing“, é a evolução natural e brutal dessa tecnologia.

Diferente do método híbrido, o Path Tracing tenta renderizar a cena inteira simulando a física da luz. Ele não escolhe reflexos ou sombras, ele calcula tudo em tempo real.

A técnica utiliza um algoritmo (geralmente Monte Carlo) para disparar milhares de raios que rebatem múltiplas vezes nos objetos da cena. Pense num raio de luz entrando por uma janela, batendo no chão vermelho, refletindo na parede branca (que ganha um tom rosado) e finalmente chegando aos seus olhos.

O Path Tracing calcula toda essa trajetória de ricochetes (bounces) simultaneamente.

Principais características do Path Tracing:

  1. Iluminação Global Unificada: não há distinção entre sombras, reflexos e luzes. Tudo é consequência do comportamento dos raios.
  2. Custo computacional: exige um poder de processamento massivo, tornando-se injogável sem o auxílio de inteligência artificial.
  3. Fidelidade: é a técnica usada em filmes da Pixar e efeitos especiais de Hollywood, agora aplicada em tempo real.

Comparativo direto

CaracterísticaRay Tracing (Híbrido)Path Tracing (Completo)
RenderizaçãoMistura rasterização com raios seletivosUsa raios para quase toda a iluminação
Cálculo de LuzLimitado a efeitos específicos (sombras/reflexos)Simula múltiplos ricochetes de luz (bounces)
DesempenhoPesado, mas viável em consoles e PCs médiosExtremamente pesado, exige GPUs topo de linha
ExemplosSpider-Man 2, Resident Evil 4Cyberpunk 2077 (Overdrive), Portal RTX

O peso no hardware e a solução via IA

Executar Path Tracing nativo em resolução 4K colocaria até a placa de vídeo mais poderosa de joelhos, rodando a poucos quadros por segundo.

A viabilidade dessa tecnologia depende inteiramente de técnicas de reconstrução de imagem, como o DLSS (Deep Learning Super Sampling) da NVIDIA, o FSR da AMD e o XeSS da Intel.

No caso do Cyberpunk 2077 no modo Overdrive, por exemplo, a inteligência artificial não so aumenta a resolução, como também ajuda a preencher os “buracos” de informação deixados pelos raios de luz, através de tecnologias como o Ray Reconstruction.

Isso permite entregar uma imagem limpa e fluida onde, matematicamente, o hardware puro não conseguiria.

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O futuro da iluminação nos games

Enquanto consoles como o PlayStation 5 e o Xbox Series X trouxeram o Ray Tracing para as massas, o Path Tracing ainda é um território majoritariamente do PC Games de alto desempenho.

A tendência é que, com o avanço das arquiteturas de GPU e a otimização de algoritmos de IA, a linha entre filmes e jogos desapareça completamente nos próximos anos, tornando a iluminação simulada o novo padrão da indústria.

Fonte(s): NVIDIA (1), (2) e (3)

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