
Três pesquisadores foram reconhecidos com o Prêmio Nobel de Física de 2025 por uma descoberta feita há quatro décadas que se tornou a base das tecnologias quânticas modernas.
John Clarke, Michel H. Devoret e John M. Martinis receberam hoje a láurea pela observação do túnel quântico macroscópico e da quantização de energia em circuitos elétricos, fenômenos que hoje sustentam avanços em computação quântica, sensores de precisão e criptografia avançada.
O anúncio foi feito nesta terça-feira (7) pela Academia Real das Ciências da Suécia, em Estocolmo, e rendeu aos cientistas um prêmio de 11 milhões de coroas suecas (aproximadamente R$ 6,2 milhões).
A descoberta que mudou o rumo da física aplicada
Nos anos 1980, o trio construiu um circuito elétrico com supercondutores — materiais capazes de conduzir corrente elétrica sem resistência — separados por uma fina camada isolante, formando o que se conhece como junção Josephson.
Ao medir as propriedades desse circuito, os cientistas perceberam um fenômeno inédito: a corrente conseguia atravessar uma barreira de energia sem dissipar calor, comportamento que passou a ser descrito como túnel quântico macroscópico.
O resultado foi surpreendente: embora o circuito fosse formado por bilhões de elétrons, ele se comportava como se fosse uma única partícula gigante obedecendo às leis da mecânica quântica.
Além disso, os pesquisadores demonstraram que o sistema absorvia e emitia energia em valores discretos, fenômeno conhecido como quantização de energia, o mesmo princípio que rege o comportamento dos elétrons nos átomos.
Segundo o comitê sueco, essa descoberta “abriu caminho para uma nova geração de tecnologias baseadas na física quântica”.
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Como isso levou à computação quântica
Décadas depois, o pesquisador John Martinis usou os mesmos princípios para criar os primeiros qubits — as unidades básicas de informação dos computadores quânticos. Ao contrário dos bits tradicionais, que representam apenas 0 ou 1, os qubits podem estar nos dois estados ao mesmo tempo.
Isso faz com que computadores quânticos consigam resolver problemas complexos, como simulações moleculares ou cálculos criptográficos, em segundos — algo que levaria anos nas máquinas convencionais.
O professor José Rafael Bordin, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), explica o impacto dessa descoberta:
Esses experimentos foram o ponto de virada. Eles mostraram que a física quântica podia sair do microscópio e entrar no mundo real, permitindo o surgimento de computadores, sensores e sistemas de segurança que até então pareciam ficção científica
Entenda os conceitos
| Conceito | Explicação simples | Exemplo prático |
|---|---|---|
| Túnel quântico | Quando uma partícula ou corrente elétrica consegue atravessar uma barreira que, na teoria clássica, seria intransponível. | É como se uma bolinha atravessasse uma parede sem quebrá-la. |
| Quantização de energia | A energia não muda de forma contínua, mas em pacotes fixos (os chamados quanta). | Imagine uma escada: é impossível parar entre dois degraus, você sempre está em um nível exato. |
| Supercondutor | Material que conduz eletricidade sem perda de energia (sem resistência elétrica). | É o que permite circuitos ultrarrápidos e eficientes em chips e máquinas de ressonância magnética. |
| Junção Josephson | Estrutura que combina dois supercondutores separados por uma fina barreira isolante, usada para estudar efeitos quânticos. | Essa é a base de sensores magnéticos, relógios atômicos e computadores quânticos. |
O reconhecimento que veio com atraso
O prêmio chega 40 anos após o experimento original, o que mostra como a ciência pode demorar até que suas implicações sejam totalmente reconhecidas. Durante o anúncio, John Clarke demonstrou surpresa com o reconhecimento:
Estou completamente atônito. Quando fizemos esses experimentos, jamais imaginamos que poderiam resultar em um Nobel. Nosso trabalho acabou se tornando a base de algo que mudaria a forma como o mundo entende e usa a física quântica
O presidente do Comitê Nobel de Física, Olle Eriksson, reforçou o impacto histórico da pesquisa:
É maravilhoso celebrar como a mecânica quântica, criada há mais de um século, ainda oferece novas surpresas. Ela é a base de toda a tecnologia digital

Por que o Nobel de Física importa tanto
Mais do que um prêmio, o Nobel de Física é o reconhecimento máximo de uma ideia que muda a forma como entendemos o universo. Criado pelo inventor da dinamite, Alfred Nobel, o prêmio é concedido a quem traz “o maior benefício à humanidade”.
Na prática, isso significa valorizar descobertas que não apenas explicam fenômenos, mas criam novas possibilidades de aplicação. Foi assim com a teoria da relatividade, os semicondutores e agora com a física quântica aplicada a circuitos elétricos.
Receber o Nobel costuma transformar não só a carreira de um cientista, como ainda a direção de pesquisa de laboratórios e universidades no mundo todo, gerando novos investimentos, startups e colaborações.
Os últimos vencedores do Nobel de Física
| Ano | Laureados | Tema premiado | Contribuição resumida |
|---|---|---|---|
| 2025 | John Clarke, Michel H. Devoret e John M. Martinis | Túnel quântico macroscópico e quantização de energia | Base para a computação quântica e a eletrônica supercondutora moderna. |
| 2024 | Pierre Agostini, Ferenc Krausz e Anne L’Huillier | Pulsos de luz attossegundo | Permitiu observar o movimento de elétrons em tempo real. |
| 2023 | Alain Aspect, John F. Clauser e Anton Zeilinger | Emaranhamento quântico | Prova experimental de que partículas podem se correlacionar à distância. |
| 2022 | Syukuro Manabe, Klaus Hasselmann e Giorgio Parisi | Modelagem de sistemas complexos e clima | Bases para prever mudanças climáticas e comportamento de sistemas caóticos. |
| 2021 | Roger Penrose, Reinhard Genzel e Andrea Ghez | Buracos negros e relatividade geral | Comprovação da existência de buracos negros no centro das galáxias. |
| 2020 | Roger Penrose, Reinhard Genzel e Andrea Ghez (compartilhado) | Singularidades gravitacionais | Explicação matemática para a formação de buracos negros. |
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Um legado que molda o futuro da tecnologia
Hoje, praticamente toda a tecnologia digital depende de princípios quânticos — de celulares e câmeras até cabos de fibra óptica e processadores. As descobertas premiadas em 2025 representam, portanto, o elo entre a física teórica do século 20 e a engenharia tecnológica do século 21.
A contribuição de Clarke, Devoret e Martinis mostra como avanços científicos de décadas atrás continuam definindo o futuro da computação. Com o ritmo atual de inovação, o que começou como uma curiosidade experimental pode, em breve, tornar-se o alicerce da próxima revolução tecnológica global.
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